Neste 25 de julho, Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, mais do que relembrar nomes que marcaram a história, é tempo de refletir sobre como o racismo moldou – e ainda molda – a autoestima, a estética e o bem-estar das mulheres negras.
Durante décadas, a beleza negra foi excluída dos padrões dominantes, e muitas mulheres recorreram a tratamentos capilares que, além de comprometer a saúde dos fios, afetaram profundamente a sua saúde mental.
Hoje, esse cenário vem passando por uma transformação significativa. A representatividade ganhou espaço, a transição capilar se tornou um movimento social de afirmação e a terapia capilar surgiu como uma aliada poderosa no cuidado com a estética e, principalmente, com a saúde.
“Quando passamos a reconhecer a beleza dos nossos traços, das nossas curvaturas, da nossa cor de pele, começamos também a ocupar outros espaços – inclusive na mídia. Ver mulheres negras como apresentadoras, jornalistas, atrizes ou empresárias de sucesso influencia diretamente a construção de uma autoestima que foi negada por séculos”, afirma Danielle Cruz, aluna do Instituto Capilare e professora.
Mudanças no setor da beleza
O setor da beleza, que por muito tempo lucrou com a tentativa de apagar as características da negritude, hoje corre para se atualizar diante da demanda por conhecimento, representatividade e cuidados reais.
“O crescimento de salões especializados em cabelos crespos e cacheados com uma abordagem mais naturalista é uma prova disso. O movimento começou muito antes da pandemia, e só se intensificou com o acesso rápido à informação. O desafio agora é filtrar essa informação para que ela seja precisa e segura”, destaca Danielle.
A terapia capilar, explica ela, tem sido essencial para quem está em transição – seja por uma disfunção provocada por uso excessivo de químicas, seja pela busca por alternativas eficazes. “É um cuidado consciente que promove longevidade capilar. No meu caso, foi um alívio perceber que tratar do couro cabeludo da forma correta facilitou toda a minha rotina”, conta.
Hoje, é comum que profissionais da área recebam clientes com disfunções importantes no couro cabeludo: oleosidade excessiva, inflamações crônicas, queda de cabelo e perda de qualidade dos fios. “Felizmente, temos cada vez mais estudos e ferramentas que viabilizam o reequilíbrio da saúde capilar. Por isso, insisto tanto na importância de formação contínua e de um olhar personalizado para cada cliente.”
Mais do que estética, cuidar do cabelo é um gesto político, cultural e de pertencimento. E pode começar desde cedo. “Desde a escolha do shampoo adequado até a forma de lavar os cabelos – tudo conta. Um couro cabeludo saudável produz fios saudáveis. E quando aprendemos a cuidar do nosso cabelo com amor e consciência, estamos também nos conectando com nossa história, com nossa força e com nossa identidade.”
Neste 25 de julho, reconhecer o poder do autocuidado e da estética negra é também reconhecer que a beleza negra nunca foi ausência — ela sempre esteve aqui, apenas não era enxergada.