Em um cenário cada vez mais acelerado, diverso e desafiador, liderar equipes exige muito mais do que processos e metas bem definidos. Escuta ativa, vulnerabilidade, autoconhecimento e diálogo se tornaram competências essenciais para construir ambientes saudáveis e equipes de alta performance. 

Nesta entrevista, conversamos com a Michelle Rodrigues, contadora especialista em negócios e founder da Perena Consultoria, sobre os desafios da gestão de pessoas, a importância dos conflitos para o crescimento coletivo e como criar espaços em que as pessoas realmente se sintam ouvidas.  Essa temática também foi abordada no encontro Mulheres que Lideram com Margaret Siqueira.  

Como lidar com conflitos dentro das equipes sem desgastar as relações?

Existe uma frase de que eu gosto muito: “As ideias brigam, as pessoas não”. Acho que essa é uma das melhores formas de enxergar os conflitos dentro das equipes: despessoalizando as situações. E isso é muito desafiador, porque temos a tendência de associar o conflito diretamente às pessoas — “fulano fez isso”, “fulano respondeu daquela maneira” — quando, na verdade, precisamos entender o que está por trás daquela reação.

Muitas vezes, o conflito pode estar relacionado a falhas em processos da empresa, dificuldades interpessoais, ruídos de comunicação ou até questões individuais que cada pessoa está enfrentando. Por isso, acredito que os principais caminhos para lidar com os conflitos são a escuta ativa e a vulnerabilidade.

Também gosto muito do conceito de humildade ontológica: somos seres incompletos e estamos aprendendo o tempo todo. Amadurecemos justamente através desses desafios. Eu realmente acredito que não existe evolução sem conflito, porque somos humanos e diferentes uns dos outros. Quando bem conduzido, o conflito pode ser um importante motor de crescimento para a equipe.

Como criar um ambiente em que as pessoas se sintam realmente ouvidas e possam trazer feedbacks?

Acredito que esse ambiente vem primeiro da minha disponibilidade enquanto pessoa. Se eu pratico a escuta ativa, se estou aberta ao feedback e disponível para ouvir, naturalmente crio um espaço em que as pessoas se sentem mais à vontade para conversar.

Construir uma cultura de feedback passa pelo respeito, pela escuta antes do julgamento e pela capacidade de acolher o outro. Também passa pela vulnerabilidade. Quando eu reconheço que nem sempre estou bem, que não tenho todas as respostas ou que preciso refletir antes de opinar sobre determinado assunto, eu mostro que existe humanidade nas relações.

Tudo isso contribui para um ambiente em que as pessoas se sintam verdadeiramente ouvidas e também estejam abertas para receber feedbacks.

Qual é o maior desafio das equipes atualmente?

Acredito que um dos maiores desafios das equipes hoje é conseguir lidar com as constantes mudanças do mercado sem perder a capacidade de gerar valor nas entregas. Vivemos em um contexto de múltiplas demandas e multitarefas, o que exige cada vez mais adaptabilidade.

Uma equipe de alta performance não é apenas aquela que entrega muito, mas a que consegue gerar valor de forma contínua, com entregas consistentes e estratégicas, sem ficar presa a grandes pacotes que demoram demais para sair do papel.

Quando pensamos na gestão de equipes, vejo outro grande desafio: lidar com as diferentes personalidades, histórias e formas de pensar que existem dentro de um time. Eu valorizo muito a diversidade e acredito que as melhores equipes são construídas por pessoas com experiências e perspectivas diferentes.

Ao mesmo tempo, isso também exige muito autoconhecimento da liderança, porque essas diferenças inevitavelmente tocam questões pessoais e desafiam nossas próprias formas de agir e pensar. O grande desafio está justamente em conciliar essa multiplicidade de perfis com os objetivos em comum da equipe, criando conexões saudáveis e um ambiente colaborativo.

Foto do encontro Mulheres que Lideram com Margaret Siqueira.

 

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