Em um mercado cada vez mais dinâmico, liderar deixou de ser apenas alcançar metas e passou a exigir habilidades humanas, adaptabilidade e visão estratégica. No setor da beleza, esse cenário não é diferente. Empresas e lideranças enfrentam o desafio de equilibrar performance, desenvolvimento de pessoas e bem-estar emocional.
Nesta entrevista com Lisiane Serpa Rocha, especialista em Desenvolvimento de Pessoas e fundadora da Aulumia Cuidado Pet, discutimos as competências essenciais para os líderes do futuro, os principais erros das organizações e como construir ambientes que conciliem resultados sustentáveis e cuidado genuíno com as pessoas. Essa temática também foi abordada no encontro Mulheres que Lideram com Margaret Siqueira.
Quais habilidades se tornaram indispensáveis para líderes atualmente?
A cada dois anos, o Fórum Econômico Mundial publica um relatório sobre o futuro do trabalho. Na edição mais recente, divulgada em 2025, o estudo aponta tendências importantes para o mercado até 2030.
O relatório, além de apresentar as profissões previstas para crescer ou diminuir, traz também uma análise sobre as top 10 habilidades com uma tendência de crescimento, considerando o contexto mundial do trabalho.
Pessoas que têm o interesse de se desenvolver como líderes devem estar atentas a algumas das habilidades que são parte desses top 10: (4º) Criatividade; (5º) Resiliência, flexibilidade e agilidade; (6º) Curiosidade e aprendizado ao longo da vida; (7º) Liderança e influência social; (8º) Gestão de talentos e (9º) Pensamento analítico.
Conectando com o que estudamos, o estilo de liderança adaptativo tem apresentado bons resultados em cenários de alta complexidade e incerteza, e as habilidades identificadas pelo FEM, se desenvolvidas, potencializam o sucesso na prática deste estilo de liderança.
O que vocês percebem que as empresas ainda entendem errado sobre liderança?
Ainda hoje, as empresas e seus gestores cometem erros fundamentais na compreensão e prática da liderança, muitas vezes por estarem presos a modelos mentais obsoletos. Vale destacar alguns equívocos, como:
- Aderir ao modelo de “Comando e Controle”: em ambientes de alta complexidade e mudança rápida, o estilo tradicional em que a líder dita ordens e microgerencia tarefas torna-se um gargalo. A liderança moderna deve ser facilitadora e adaptativa, focando em habilitar times autogeridos em vez de apenas gerir execuções táticas.
- Confundir estar envolvido com ser essencial: um erro comum de novas líderes é acreditar que seu valor está em sua participação direta em cada decisão e tarefa. A liderança eficaz exige o paradoxo de se tornar “mais essencial e menos envolvido”, estendendo sua influência por meio das ações e do empoderamento das outras pessoas.
- Enxergar a delegação como “passar tarefas”: delegar é frequentemente visto como uma forma de uma pessoa líder ganhar tempo, quando deveria ser encarado como uma ferramenta de formação e desenvolvimento de pessoas. Se a delegação não vier, acompanhada de ensino e suporte ajustados ao nível de competência da pessoa aprendiz, ela resultará em retrabalho e frustração.
Como equilibrar resultados e cuidado com as pessoas?
Este é um desafio imenso. Vivemos em um mundo de urgências, onde dizer “estou em uma correria” se tornou uma frase aguardada logo depois do “boa tarde, tudo bem?”. Um mundo que valoriza quem está sempre ocupado e “dando conta de tudo”, “fazendo várias coisas ao mesmo tempo”, mesmo quando temos consciência do custo que esse ritmo acelerado de vida pode trazer no longo prazo.
Para equilibrar resultados e cuidado com as pessoas, o cuidado não deve ser visto como um “custo” ou uma atividade isolada, mas como uma lente estratégica que sustenta a própria viabilidade do negócio a longo prazo. Não existe um negócio sem as pessoas que o tornam realidade.
As empresas costumam separar “resultados” de “cuidado”, mas investir em saúde integral e preventiva tem impactos financeiros diretos e positivos nos negócios, como, por exemplo: redução de custos com planos de saúde e faltas; aumento da produtividade e da retenção de pessoas, dentre outros.
De acordo com a colunista Grazi Mendes, em seu artigo no MIT Sloan Review, é importante praticar a Tríade do Cuidado. A pessoa líder que busca resultados sustentáveis deve aplicar o circuito completo do cuidado, que passa por três dimensões:
- Cuidar de si mesmo: para ter energia para liderar;
- Cuidar dos outros: fomentando o desenvolvimento da equipe;
- Saber receber cuidado: quebrando a ideia da liderança solitária que sabe todas as respostas e passando a ser aquela pessoa que faz as perguntas e pede ajuda.
É necessário nutrir ambientes seguros (segurança psicológica), onde as pessoas sintam que podem assumir riscos e ser vulneráveis sem punições. Isso é a base para a inovação e criatividade, que geram os resultados de amanhã.
Fontes:
- Adaptive Leadership – Accelerating Enterprise Agility
- Harvard Business Review: Para ser um grande líder, você precisa aprender a como delegar bem
- Harvard Business Review: Para que a delegação funcione, ela precisa vir acompanhada de orientação
- MIT Sloan Management Review – Autocuidado não é só sobre skincare
- MIT Sloan Management Review – Qual a mudança que a sua caneta alcança?
- MIT Sloan Management Review – Sobre saúde e bem-estar: o vale-academia não dá conta do recado